A cena cultural de Fortaleza começa a dar os primeiros passos na retomada das ações presenciais paralisadas desde 2020 devido à pandemia da Covid-19. Um exemplo, é o o grupo cearense Pavilhão da Magnólia que celebra 16 anos de trabalho continuado e também o reencontro entre artistas e espectadores depois de um ano e meio de teatros fechados. Nesta sexta-feira, 10 de setembro, às 19h, o grupo apresenta na Casa Absurda sua nova criação, “Há uma festa sem começo que não termina com o fim”. O espetáculo segue temporada às sextas e aos sábados e domingos de setembro com público limitado a 15 pessoas por sessão, atendendo os protocolos de segurança e a venda antecipada se dará pelo Sympla. Foto: Carol Veras
Foi no contexto de encontros virtuais que artistas vasculharam seus arquivos pessoais, do próprio grupo e do país em busca de mitos de origem, inícios, marcos e marcas, inspirados pela obra da autora paulista Noemi Jaffe, O livro dos começos (2015). Num momento em que planejar o futuro parecia algo assombroso e impossível diante do medo, do luto e da aguda indignação com o (des)governo do Brasil, revisitar o passado emergiu como um lugar capaz de alimentar os imaginários e movimentar os afetos. Com a gradual retomada de atividades presenciais, a Casa Absurda, sede dos grupos Pavilhão e Prisma, abrigou os ensaios e experimentações com uma equipe reduzida que foi se ampliando com o avanço da vacinação e maior controle da pandemia. A peça, que flerta com a linguagem da palestra-performance e do teatro documentário, aposta no exercício de proximidade depois de tantos isolamentos. Por isso, joga com as memórias do elenco para inscrever o lembrar como ação coletiva que nunca diz apenas daquele que recorda, ao contrário, nos trânsitos entre particular/privado e plural/público tece uma reflexão sobre o Brasil de hoje, ontem e amanhã que parte de cada corpo e aquilo que carrega: do que é visível e do que foi invisibilizado.
O espetáculo marca ainda outros começos, como a primeira colaboração do Pavilhão da Magnólia com o diretor Francis Wilker e a dramaturgista Thereza Rocha, ambos professores da Universidade Federal do Ceará interessados nas poéticas contemporâneas, e também com o light designer paulista Guilherme Bonfanti (Teatro da Vertigem) que criou a luz da peça numa parceria inédita com o iluminador cearense Wallace Rios. A viabilização da vinda de Bonfanti se deu numa parceria com Hub Cultural do Ceará – Porto Dragão Centro Cultural – IDM equipamento da Secretaria Estadual da Cultura SECULT através do projeto “Diálogos de Criação”. Já a coprodução com o Projeto Giro das Artes, da Quitanda Soluções Criativas e Instituto BR Arte, proporcionou a interlocução dramatúrgica de Ricardo Cabaça, dramaturgo português com quem o grupo se reuniu virtualmente ao longo do processo e que durante temporada realizará uma conversa pública a partir da experiência.
Sinopse:
Livro é árvore, verso já foi traço escrito na terra arada. Os verbos são passado e presente simultâneos. Nenhuma palavra termina em si mesma, os corpos também não. Num rito coletivo de festa e de teatro, uma casa se reabre às/aos convivas e reaprende: como estarmos juntos novamente? Quatro artistas, tal qual páginas soltas de um livro, folheiam o tempo e convidam o público a percorrer um lugar, um ontem, uma vida, um agora, um país, um amanhã.
Serviço
Temporada presencial: “Há uma festa sem começo que não termina com o fim”
Estreia sexta (10/09), 19h.
Em cartaz às sextas, sábados e domingos de setembro sempre às 19h.
Loca: Casa Absurda
Rua Isac Meyer, 108. Aldeota
Ingressos: R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira)
Bilheteria: www.sympla.com.br/ha-uma-festa-sem-comeco-que-nao-termina-com-o-fim—temporada-de-estreia-pavilhao-da-magnolia__1336230
Lotação: 15 pessoas
Classificação: 18 anos
Duração: 120 minutos
Obs: Uso obrigatório de máscara. Acesso permitido mediante apresentação do Cartão de Vacinação com pelo menos 1ª dose de vacina contra Covid-19 ou teste negativo de Covid-19 de até 48 horas antes do evento. Será feita medição de temperatura corporal pela produção do evento.
