A cantora, compositora, atriz, performer, pesquisadora cearense Marta Aurélia apresenta seu novo show “obra em progresso” neste sábado, 8 de outubro, às 19h, no Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza, com entrada franca.
Ao lado de jovens músicos e músicas de grande destaque na cena cearense – Caio Castelo no contrabaixo, synths, vocais e direção musical, Clau Aniz nas guitarras e Ayla Lemos na bateria -, Marta Aurélia lança na ocasião o single e o clipe da música “Tectônica”, de sua autoria em parceria com Caio Castelo e Allan Diniz. É a primeira faixa de um EP que contará com outros singles a serem lançados em breve.
A canção foi concebida por Marta para refletir sobre a crise mundial contemporânea. Composta em parceria com Caio Castelo, também produtor e contrabaixista da banda, e com o videomaker Allan Diniz. “’Tectônica’ nos convoca a assumir nossa parcela de responsabilidade diante da tragédia que se abate sobre o planeta que, além de inúmeros prejuízos ao meio ambiente, coloca a própria vida humana em risco de extinção”, ressalta Marta Aurélia.
A artista acredita que, além de uma forma de resistência, permitir-se vibrar com o corpo deste planeta e fazer coro com as vozes da terra é um bom tratamento para as patologias que afetam a humanidade, sejam de ordem física, mental, emocional, social, política e espiritual. Respeitar, cuidar e ouvir a natureza é cuidar de si e de todos. “Queria que o som saísse de mim como sai de dentro da terra”, reforça.
O repertório do show será composto pelas três canções do EP, por composições feitas durante a pandemia e por canções que fazem parte dos álbuns “Síntese” e “Acesa”, com que Marta se destacou na cena cearense, em diferentes momentos.
O clipe de “Tectônica” foi concebido e realizado por Marta e Themis Memória, que também cuidou da arte, figurino e fotografia em parceria com Natália Parente. A edição é do realizador audiovisual Allan Diniz.
Há mais de 20 anos, Marta vem entoando cantos indígenas do povo Tremembé na língua originária como quem abre um atalho na direção a sua ancestralidade, e, também, como um ato anticolonialista, a favor do reconhecimento, da valorização e da retomada dos povos originários. Com o passar do tempo, a artista se ressente cada vez mais do apagamento de suas origens que lhe voltam de forma fragmentada, esparsa, onírica e poética e, sobretudo, por sentir-se familiar e parente de povos negros e mais enfaticamente de povos indígenas.
Some-se a isso o impacto que teve ao conhecer a obra O Som da Terra (“Sonic Pavillion”), de Doug Atken, no grande museu aberto Inhotim, em Brumadinho-MG: um buraco no chão de mais de 200 metros por onde emergem sons, ruídos e silêncios produzidos pelas entranhas da terra; a necessidade de fazer soar de forma mais livre sua própria voz, atravessando traumas, acidentes e imposições; e o desmantelo político no mundo, em particular no Brasil.
Tudo isso motivou Marta Aurélia a buscar parcerias para desenrolar esse novelo artístico, usando a metáfora dos abalos sísmicos produzidos por movimentos das placas tectônicas para falar dos abalos do mundo contemporâneo. Parece haver uma correspondência intrínseca entre o corpo da terra e os corpos de seus habitantes. Daí nasce o conceito de “Tectônica”.
Pré-lançamento no auge da pandemia
No auge da primeira onda da pandemia, em 2020, com apoio do edital Arte em Rede, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, Marta realizou um pré-lançamento do single, embora o processo de produção estivesse enfrentando os desafios característicos daquele momento. No momento em que faltava gravar apenas a voz, foi decretado o primeiro “lockdown”.
Com a interrupção, a voz foi gravada por celular e enviada ao estúdio em condições ainda precárias. Mesmo assim, considerou-se importante fazer a experiência do pré-lançamento naquela ocasião como uma forma de incluir a conjuntura que se estava vivendo, que se tornava cada vez mais dramática. A artista decidiu aguardar uma conjuntura mais favorável para dar continuidade e redimensionar o projeto, incluindo EP e show, expandindo o repertório, entre canções próprias e de/com parceiros.
O EP ampliará o conceito mencionado ao incluir mais duas faixas que dialogam nas entrelinhas entre si e que sugerem como recursos subjetivos de atravessamento das turbulências do mundo atual o amor, a alteridade, a solidariedade, o cuidado, a música, a dança, a arte. As letras das canções se valem de elementos da natureza, figuras sonoras, musicais e da escuta como veículos e potências estéticas e éticas, como atos primordiais de um ritual de passagem para um novo mundo e celebrar, em festa, e ‘dançar até o dia amanhecer’! A nova e autoral “Subrepticiamente” e “Tambor da Madrugada”, de Flávio Paiva e Anna Torres, está já gravada por Marta em seu álbum de estreia, “Síntese”, de 1999.
O EP “Tectônica” foi gravado no Orelha Estúdio, do produtor Caio Castelo, e mixado por ele e Uirá dos Reis. Sairá pelo selo Índigo Azul, com quem Marta vem em parceria desde o álbum “Acesa” (2018).
Serviço
Show Marta Aurélia – Tectônica
Lançamento do single e do clipe “Tectônica”.
Sábado, 8/10, às 19h, no CCBNB Fortaleza
Rua Conde D´’Eu, 560, Centro
Entrada franca.
Informações: 85-999733054 / Instagram: @musicadoceara e @martaurelia
