São quase dez anos de atuação no bairro Serviluz, em Fortaleza. E, ao longo desse tempo, muitos caminhos navegados pelo Instituto Trêsmares. Tendo como ênfase a articulação com crianças, adolescentes e mulheres do território, a instituição constroi, em conjunto, projetos e discussões que passam por: direito à cidade, educação, moradia, equidade étnico racial, de gênero e cultura popular. Toda essa experiência, que abrange os campos da educação, das artes e da cultura, será partilhada em uma formação voltada para educadores, arte-educadores e agentes culturais que atuam com crianças nas periferias de Fortaleza. A atividade, que teve início no último dia 19/4, na biblioteca comunitária Livro Livre Curió, segue neste fim de semana (sábado, 26/4) nas bibliotecas Adianto, na Barra do Ceará e na Escola Municipal São Vicente de Paulo, no Serviluz. (Foto: Divulgação)
A história do Instituto Trêsmares começa em 2015, com o Projeto de Vida Titanzinho. Criado por Iara Andrade e Luiza Barbosa, o projeto tinha como foco inicial ações pontuais no bairro Serviluz. Com o passar dos anos, o trabalho ganhou corpo, articulações e reconhecimento, tornando-se uma Organização da Sociedade Civil (OSC). Hoje, o Instituto atua em parceria com a Associação de Moradores do Titanzinho e integra o conselho gestor da Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) do bairro.
“O Instituto Trêsmares nasceu da percepção da importância de formalizar e organizar algo que já pulsava na atuação prática no Serviluz. O que começou como ações semanais com crianças e adolescentes foi ganhando corpo na conexão com iniciativas já existentes no bairro, marcadas por um histórico de resistência e luta, mas, também, permeadas por brincar, se divertir e fazer arte, tão presente por lá”, explica Iara. “Sempre com a proposta de construção coletiva, o Instituto se alinha à defesa dos direitos humanos por meio da troca de saberes e do fazer junto. Com o tempo, ampliou suas atuações, fortalecendo a luta por moradia, o trabalho com moradores de diferentes idades, saúde mental e exposições de arte”, detalha.
O Instituto é atualmente composto por seis mulheres de diferentes territórios, etnias, sexualidades e com/sem deficiência: Cecília Gomes, Nicole Saboya, Rafaela Vasconcelos, Alana Leal, Talita Martins e Raquel Xavier. A equipe utiliza a arte, a cultura e a psicoeducação como ferramentas principais de atuação. Entre as frentes de trabalho estão a Escuta Psicossocial e a luta por direito a cidade nas ZEIS Cais do Porto e Serviluz. Um dos projetos de maior destaque é Daqui pra Lá: Arte de nós como cidade, curso que envolveu 60 adolescentes do Grande Mucuripe
Um livro que navega territórios e pensa outras possibilidades de educação
Agora, em 2025, toda essa bagagem de anos de atuação será partilhada por meio do de uma formação Outros mares: livro que navega a cidade. A ação tem como objetivo compartilhar a pesquisa que sistematizou cinco anos de experiências do Instituto, por meio da circulação do audiolivro/e-livro “Outros Mares: educação, arte e cultura com e para crianças periferizadas”, que tem autoria de Iara e Luiza.
“O livro surge com a proposta de sistematização das experiências aplicadas no grupo de crianças com quem atuamos, através do Projeto de Vida Titanzinho. Propomos que algumas das dinâmicas que criamos possam ser compartilhadas e usadas, principalmente, pela educação informal, de forma prática. A ideia é que o livro seja uma partilha e incorpore outras experiências para que sejam criadas coisas novas, ou seja, as propostas de territorialidade que trazemos nas dinâmicas possam ser adaptadas a diferentes bairros, dentro de suas particularidades. Nos preocupamos em propor o uso de materiais que sejam acessíveis e que exijam pouca mão-de-obra para a organização, tornando possível a facilitação feita por pessoas que não tem essa ação como atividade principal”, explica Luiza.
Publicado em 2021, com apoio da Secretaria Estadual da Cultura e do Governo do Estado do Ceará, por meio do Fundo Estadual da Cultura e recursos da Lei Federal nº 14.017/2020 (Lei Aldir Blanc), o livro é uma construção coletiva que aborda experiências educativas desenvolvidas com crianças das periferias. Organizado por eixos temáticos , o material promove reflexões sobre direitos humanos e combate a preconceitos raciais, de gênero e capacitismo.
A obra completa pode ser acessada gratuitamente aqui.
O intuito de realizar a formação, a partir do livro, é fomentar a circulação literária entre educadores do ensino formal e informal, além de agentes culturais que desenvolvem atividades com crianças em contextos periféricos. A atividade será facilitada pelas autoras do livro e acontecerá ao longo deste mês de abril. Durante os encontros, os participantes terão acesso à obra e a recursos didáticos que os permitirão utilizar o livro como ferramenta pedagógica para discussões e atividades sobre temáticas sociais.
A atividade terá mais duas edições neste sábado, dia 26/4, nas bibliotecas comunitárias Adianto (26/4) e na Escola Municipal São Vicente de Paulo (26/4). As inscrições foram realizadas, previamente, online.
O projeto Outros mares: livro que navega a cidade é realizado com apoio do Edital Para as Artes da Secretaria de Cultura de Fortaleza, com recursos da Lei Paulo Gustavo.
Serviço
Projeto “Outros mares: livro que navega a cidade”
Mais informações:
Instagram — @institutotrêsmares
Cronograma de formações:
26/04
Território: Serviluz
Local: Escola Municipal São Vicente de Paulo
Av. Zezé Diogo, 1247 – Vicente Pinzon, Fortaleza – CE
Horário: 8h às 11h
26/04
Território: Barra do Ceará
Local: Biblioteca Adianto
Endereço R. Santa Isabel, 70 – Barra do Ceará, Fortaleza – CE
Horário: 15h às 18h
