Em alusão ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio, o projeto cineclubista “Cinema, Café e Tapioca” realiza, neste mês, uma edição especial com a exibição do clássico Rede de Intrigas, dirigido por Sidney Lumet. O longa, considerado uma das obras mais marcantes sobre a imprensa televisiva, completa 50 anos em 2026 e segue atual ao discutir sensacionalismo, manipulação midiática e a busca desenfreada por audiência.
A sessão acontece neste sábado, 23 de maio, às 9h, no auditório da Associação Cearense de Imprensa (ACI), localizada no Centro de Fortaleza. seguida de debate com o público. O projeto conta com apoio do Blog do Rogério Gomes.
Antes da exibição, haverá café da manhã no terraço da entidade, a partir das 8h. Já ao meio-dia, a programação continua com a estreia do projeto “Chorinho nas Alturas”, iniciativa musical promovida pela ACI para movimentar os sábados da instituição uma vez por mês, segundo o presidente da entidade, Eliézer Rodrigues. O encontro terá apresentação de chorinho no terraço, além de feijoada, refrigerante e cerveja a preços acessíveis.
Um clássico sobre mídia e audiência
Lançado em 1976, Rede de Intrigas acompanha o apresentador Howard Beale, interpretado por Peter Finch, que anuncia ao vivo sua intenção de cometer suicídio durante a transmissão do telejornal após descobrir que será demitido. A partir daí, o personagem passa a protagonizar discursos explosivos sobre a crise social e política dos Estados Unidos dos anos 1970, elevando drasticamente os índices de audiência da emissora.
O sucesso do “surto televisivo” faz com que os executivos da rede transformem a indignação do jornalista em espetáculo, trocando o compromisso ético da informação por estratégias voltadas exclusivamente ao lucro. Nesse contexto, ganha destaque a executiva Diana Christensen, interpretada por Faye Dunaway, defensora de um jornalismo sensacionalista e agressivo.
Sucesso de crítica e premiações
Além do êxito comercial — arrecadando US$ 23,7 milhões com orçamento de US$ 3,8 milhões — o filme recebeu ampla aclamação da crítica especializada. Na cerimônia do Oscar de 1977, conquistou quatro estatuetas: melhor ator para Peter Finch, melhor atriz para Faye Dunaway, melhor atriz coadjuvante para Beatrice Straight e melhor roteiro original para Paddy Chayefsky.
O longa também foi reconhecido no Globo de Ouro, vencendo nas categorias direção, roteiro, ator e atriz em drama. Finch ainda recebeu o prêmio Bafta de melhor ator.
Legado atual
Cinco décadas após o lançamento, o filme continua sendo frequentemente apontado como uma obra premonitória sobre os rumos da comunicação contemporânea. Em análise publicada no site “Mira da Janela”, o crítico João Oliveira Melo destaca que o longa aborda temas como manipulação da mídia, superficialidade das relações humanas, influência do capitalismo sobre a política e monopólio empresarial.
O roteirista e cineasta Aaron Sorkin, autor de obras como Questão de Honra e A Rede Social, chegou a afirmar, em 2011, que “nenhum preditor do futuro — nem mesmo George Orwell — esteve tão certo quanto Chayefsky ao escrever Network”.
O filme integra ainda a lista dos 500 Maiores Filmes de Todos os Tempos da revista Empire e figura entre os dez melhores roteiros da história do cinema segundo levantamento promovido pelo Writers Guild of America.
Serviço
Cinema, Café e Tapioca – Exibição de “Rede de Intrigas”
Data: sábado, 23 de maio
8h – Café da manhã no terraço
9h – Exibição do filme e debate no auditório da ACI
12h – Projeto “Chorinho nas Alturas” no terraço da entidade
Local: Associação Cearense de Imprensa
Gratuito
