Há 50 anos, no dia 24 de junho de 1976, durante um dos períodos mais duros da ditadura militar, quatro dos maiores nomes da música brasileira se uniram em um projeto coletivo que marcou época e entrou para a História. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia se tornaram os Doces Bárbaros, quarteto criado para celebrar uma década de carreira dos quatro artistas com uma série de shows que estreou no Anhembi, em São Paulo. Nesta quarta, 24 de junho, a Garota FM Books abre a pré-venda do primeiro livro que contará a história do “supergrupo” pós-tropicalista. (Foto: Antônio Nery/Reprodução)
Em Mistério Sempre Há de Pintar Por Aí – Uma História dos Doces Bárbaros, o pesquisador Luiz Abrahão reconstrói a cronologia do grupo desde a estreia conjunta em Salvador, ainda em 1964, passando também pela explosão de suas carreiras individuais, quando já eram tratados como um “grupo baiano” unificado, até a consolidação definitiva dessa parceria nos anos 1970. Através de uma pesquisa extensa e rigorosa, o autor dá a dimensão da importância do grupo em um período político delicado, mostrando como os Doces Bárbaros sofreram com a censura e foram perseguidos pelo regime militar. Documentos inéditos resgatados por Abrahão revelam que, além do já conhecido veto à canção “Como são lindos os chineses”, de Péricles Cavalcanti, que não pôde ser incluída no show, outras músicas do repertório também sofreram sanções da Censura. “Os mais doces bárbaros”, “Nós, por exemplo”, “O seu amor” e “Um índio” foram consideradas impróprias pelas forças de repressão e precisaram ter trechos de suas letras alterados para poderem ser liberadas para execução pública.
O episódio da prisão de Gilberto Gil por porte de maconha em Florianópolis — que interrompeu a turnê e o obrigou a se submeter a um tratamento de reabilitação —, também ganha destaque no livro. A partir de documentos encontrados na pesquisa, como um dossiê do Ministério da Aeronáutica, o autor revela como o episódio serviu de pretexto para que o governo militar mantivesse o quarteto sob vigilância.
Além disso, a obra investiga outros acontecimentos marcantes dos Doces Bárbaros, como a gênese do nome – uma resposta de Caetano Veloso aos preconceitos proferidos pelo jornal O Pasquim à época – além das gravações e do lançamento do documentário de Jom Tob Azulay que registra a turnê do grupo. O cineasta, inclusive, assina o prefácio da obra. Com detalhes extraídos de entrevistas e reportagens da época, o livro explora os bastidores dos shows de 1976, além de registrar os outros encontros do quarteto ao longo dos anos, do desfile da Mangueira em 1994 até as últimas apresentações conjuntas em 2002.
Serviço
Pré-venda de Mistério Sempre Há de Pintar Por Aí – Uma História dos Doces Bárbaros
Data: 24 de junho
Valor da pré-venda: R$ 89,00
Preço de loja: R$ 99,00
320 páginas
Tamanho: 23 x 16cm
