O artista transdisciplinar Ricardo Siri inaugura neste sábado, 27, às 10h, no Museu Histórico da Cidade, na Gávea, no Rio de Janeiro, a exposição inédita “PRO-POLIS”, que apresenta cerca de 30 obras produzidas com mel, cera de abelha e própolis. Com curadoria de Fernanda Lopes, a mostra marca o resultado de uma pesquisa iniciada há cerca de oito anos, quando o artista passou a estudar e criar abelhas nativas brasileiras, atividade que lhe rendeu, inclusive, o reconhecimento como produtor do terceiro melhor mel do Brasil. (Foto: Divulgação)
As pinturas e esculturas estabelecem um diálogo entre arte, natureza, ciência e tecnologia, explorando materiais produzidos pelas abelhas como elementos centrais da criação artística. Segundo Siri, a proposta é revelar os processos coletivos presentes tanto na vida das colmeias quanto na organização da sociedade.
“Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma o artista.
Para a curadora Fernanda Lopes, a exposição propõe uma reflexão sobre coexistência e cuidado a partir dos próprios materiais utilizados pelas abelhas.
“Em PRO-POLIS, Ricardo Siri transforma materiais produzidos pelas abelhas em dispositivos de pensamento. Seu interesse não está em representar a natureza, mas em trabalhar a partir dela. Os materiais carregam histórias, geografias e relações ecológicas complexas”, destaca.
Entre os destaques da mostra estão pinturas abstratas produzidas com própolis, substância utilizada pelas abelhas para proteger a colmeia. Nas obras, o material assume o papel de pigmento natural, criando superfícies em diferentes tonalidades de marrom, verde e vermelho. Algumas peças utilizam ainda geoprópolis — mistura de terra e própolis produzida por espécies como a mandaçaia — ampliando o diálogo entre arte, território e biologia.
A geometria característica das colmeias também aparece em uma série de trabalhos confeccionados com folhas de cera de abelha moldadas pelo artista. Em “Estudos para Movimento Mel Concreto”, Siri faz referência ao Movimento Neoconcreto, utilizando estruturas hexagonais inspiradas na organização das abelhas. Formado em engenharia civil, o artista afirma que a geometria é um elemento recorrente em sua produção.
Outra série presta homenagem ao pintor holandês Piet Mondrian. Batizadas de “Meldrian”, as obras reproduzem a linguagem visual do artista utilizando exclusivamente mel e ceras naturais de diferentes espécies de abelhas, sem adição de pigmentos artificiais. Durante suas pesquisas, Siri constatou que cada espécie produz ceras com colorações próprias, que podem variar até mesmo dentro de uma mesma colmeia.
A tecnologia também integra a exposição. O artista desenvolveu QR Codes produzidos com folhas de cera que podem ser escaneados por celulares e direcionam o visitante para conteúdos sobre as colmeias responsáveis pela produção daquele material. Em outras pinturas, os códigos aparecem camuflados em composições geométricas feitas com própolis e pigmentos extraídos de flores e plantas cultivadas em seu quintal, como urucum, café e bougainville. Ao serem fotografadas, as imagens revelam conteúdos ocultos relacionados ao universo das abelhas.
“A ideia é provocar um novo olhar sobre a obra. As pessoas fotografam muito nas exposições. Então resolvi transformar esse hábito em parte da experiência e, de certa forma, polinizar as pessoas”, explica o artista.
A exposição também aborda questões ligadas à migração. Em uma série de mapas-múndi produzidos com cera de abelhas estrangeiras presentes no Brasil, Siri presta homenagem tanto às espécies introduzidas no país quanto aos imigrantes que ajudaram a construir sua história familiar.
A maior parte dos materiais utilizados na exposição é proveniente do próprio meliponário do artista, dedicado à criação de abelhas nativas brasileiras. A mostra permanece em cartaz no Museu Histórico da Cidade e convida o público a refletir sobre as relações entre arte, ecologia, memória e convivência coletiva.
Serviço
Exposição “PRO-POLIS”, de Ricardo Siri
Abertura: 27 de junho de 2026, às 10h
Exposição: até 22 de agosto de 2026
Museu Histórico da Cida (MHC) [3º andar]
Estrada Santa Marinha, s/n – Gávea – Rio de Janeiro – RJ
De terça a domingo, das 9h às 16h.
Entrada gratuita
Curadoria: Fernanda Lopes
