A partir deste sábado, 18 de julho, às 14h, a exposição Babel, do fotógrafo e artista visual cearense Rafael Vilarouca, entrará em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC), localizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza (CE). Ocupando três salas do espaço, a mostra reúne e condensa um conjunto de fotografias produzidas desde 2015 apresentando um percurso íntimo e solitário por sua produção artística. O projeto prevê ainda o lançamento do fotolivro Babel, em agosto de 2026. A exposição e a publicação são realizadas com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Lei Federal nº 14.399/2022). O acesso é gratuito.
Ao percorrer o espaço urbano, o artista investiga suas próprias experiências de pertencimento, solidão e memória, transformando a fotografia em um exercício de coleção. As imagens funcionam como souvenirs visuais, registros de encontros com paisagens, objetos e situações que atravessam sua trajetória pessoal.
Produzidas em Icó, Juazeiro do Norte e Fortaleza, as fotografias — analógicas e digitais — incorporam procedimentos como colagem digital, xerox-arte, pinhole e sobreposição de negativos. O conjunto constrói uma cartografia afetiva do Ceará, revelando territórios onde ruralidade e urbanização coexistem sem fronteiras definidas.
Paisagens, placas, pinturas murais, manequins, piscinas, fachadas envelhecidas, outdoors e outros elementos cotidianos compõem um inventário visual de cidades marcadas por transformações, abandonos e permanências. Entre ruínas materiais e vestígios de modos de vida em desaparecimento, as obras deslocam o olhar para o Nordeste brasileiro e propõem novas leituras sobre arquitetura, urbanismo, consumo, memória social e cultura visual contemporânea.
Tendo a cidade como interface, a exposição investiga as relações entre corpo, espaço e experiência coletiva. Imagens que articulam fragmentos arquitetônicos, intervenções visuais e temporalidades sobrepostas para questionar os modos como habitamos, lembramos e esquecemos. Ao explorar aproximações entre documento e invenção, presença e ausência, o trabalho evidencia a instabilidade dos espaços urbanos e dos símbolos que organizam nossa vida cotidiana.
Paisagens artificiais surgem como vestígios de promessas interrompidas. Nesse exercício cartográfico e arqueológico, a ruína não aparece apenas como sinal de decadência, mas como índice da passagem do tempo e da ação humana, revelando camadas ocultas da experiência urbana contemporânea.
